Alerta Contra a Coqueluche

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22 de março de 2013 – ano I – nº 1 do Boletim Online da SMP.

José Geraldo Leite Ribeiro – Professor de Medicina Preventiva da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e de pediatria da FASEH;

Raquel Pitchon dos Reis – presidente da Sociedade Mineira de Pediatria

Alexandre Braga – presidente do Comitê de Infectologia da Sociedade Mineira de Pediatria.

Introdução

Em ofício enviado para Sociedade Mineira de Pediatria (SMP), no mês de março de 2013, a Secretaria do Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG) solicitou a participação da Sociedade na campanha contra o recrudescimento da coqueluche. Doença de notificação compulsória, foram relatados em 2011, em Minas Gerais, 82 casos. Em 2012, foram notificados 281 casos. Um aumento de 242%. Situação semelhante é observada em todo o Brasil.

O recrudescimento da doença vem sendo descrito em vários países. O fato de nem a imunização, nem a infecção proporcionarem imunidade definitiva aliado à inexistência de eventos naturais que reforcem a imunidade, à redução progressiva da imunidade após a imunização na infância e à redução da cobertura vacinal colaboram para explicar o problema.

A coqueluche é causada pelo bacilo Gram negativo Bordetella pertussis. Os seres humanos são os seus únicos hospedeiros conhecidos. Sua transmissão se dá pelo contato próximo com o doente, por meio de suas gotículas aerosssolizadas eliminadas principalmente durante a fala e a tosse. A doença é altamente transmissível e até 80% dos contactantes domiciliares de casos sintomáticos contraem a infecção. A contagiosidade do doente é maior durante o período catarral e nas duas primeiras semanas após início da tosse.

A coqueluche é mais grave nos seis primeiros meses de vida, principalmente para os prematuros e não imunizados. Esse fato justifica a importância da imunização da gestante, a partir do segundo trimestre, dos familiares e cuidadores do recém-nascido.

Coqueluche Preocupa Brasileiros

Neste mês o Ministério da Saúde do Brasil e a Sociedade Brasileira de Pediatria emitiram alertas quanto à situação da coqueluche. Vários países tiveram problemas com o ressurgimento da doença na última década, mas no Brasil a doença se manteve controlada até 2010. No entanto, a partir de 2011, a doença atingiu níveis epidêmicos. Essa situação é explicada pelo fato dos adolescentes e adultos vacinados no passado, perderem sua imunidade integral, em razão da ausência de circulação da bactéria nos últimos anos. A doença nos adultos é caracterizada por tosse inespecífica e prolongada. Estudos internacionais relatam que até 30% dos adultos tossindo por mais de 15 dias, estão com coqueluche. Recente Tese da Profa. Dra. Analíria Pimentel, de Recife, e os estudos da vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo confirmam a importância desses adultos na contaminação de crianças menores de seis meses de vida, ainda não vacinadas integralmente. Em 2011, foram notificados 2258 casos da doença no Brasil, subindo para 4453 em 2012.

A principal medida de controle dessa situação parece ser o uso da vacina tríplice acelular do adulto (dTpa), aplicada como reforço, a partir dos 11 anos de idade, mantendo o adolescente e adulto protegido e evitando-se assim a contaminação das crianças pequenas. O Programa nacional de Imunizações decidiu por implantar a vacinação das gestantes com a dTpa, a partir das 20 semanas de idade gestacional, medida que é aguardada para o segundo semestre de 2013. Uma dose é feita na gestante independente de seu passado vacinal para o tétano. Essa já é a recomendação da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia e da Sociedade Brasileira de Imunizações. O objetivo da vacinação da gestante é promover a passagem de anticorpos maternos para o feto e evitar-se a colonização da mãe.

Enquanto o Ministério da Saúde recomenda a Eritromicina como medicamento de escolha para tratamento e profilaxia, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda a Azitromicina.

Veja as dosagens abaixo recomendadas pela SBP:

coqueluche pediatria

Principais sinais de alarme para quadros graves

Os lactentes, cujos paroxismos frequentes levem a risco de vida apesar da oferta de oxigênio ou cuja fadiga resulte em hipercapnia, têm indicação de intubação e ventilação mecânica.

Sinais de alarme:

  1. Taquipnéia com frequência respiratória acima de 60 movimentos respiratórios por minuto;
  2. Frequência Cardíaca abaixo de 50 batimentos / minuto;
  3. Contagem de leucócitos acima de 50.000 células/mm3;
  4. Hipóxia persistente após paroxismos;

Bibliografia à disposição com o autor (josegeraldoribeiro@uai.com.br)

Para maiores informações consulte o portal do Ministério da Saúde (www.saude.gov.br) e da SBP (www.sbp.com.br)

Fluxograma da Coqueluche

fluxo-coqueluche

Referências Bibliográficas

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de vigilância epidemiológica / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. – 7. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2009.– Caderno 03, 2010.
  1. Ministério da Saúde, Portaria 535 de 28/03/2012.
  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Informe Técnico – Coqueluche. Acesso: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/gve_7ed_web_atual_coqueluche.pdf
  1. American Academy Pediatrics. In Pickering LK et al. Red Book 2012: Report f the committee on infectious diseases. 29 th ed. Elk Grove Village, IL: American academy of Pediatrics, 2012.

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